Viver a vida



Adísia Sá, a professora e mestra amiga, no momento do lançamento do livro Três mulheres no divã de Freud, de sua autoria.


Longe de ser título de novela, a vida taí pondo à mesa o banquete com pratos de livre escolha. Há entradas que enchem os olhos, mas depois de provadas são substituidas por alimento de maior consistência como a amizade. É o flerte que perde vez para o namoro, logo substituido pelo casamento. Aliás, nem sei por que deixamos de namorar quando casamos.

Nessa sequência de atitude uma é especialmente rica: a amizade. Neste periodo, as confraternizações dos finais de ano são sempre um motivo para nos reunir com aquelas pessoas que amamos, mas que deixamos o tempo passar longe delas. Ligadas pelo pensar, alimentamos a amizade que dispensa espaços físicos.

Algumas outras temos a satisfação de tê-las mais perto. E assim a vida cresce, os anos passam e a gente progride na promessa de um novo reencontro, nem que demore mais 365 dias.


Com as escritoras e jornalistas Luiza Amorim e Ian Gomes 

Natal chegando, e você...


Então é Natal... pois bem quem não fica deprê ouvindo Simone? Acho que até ela.

Não entendo porque tanta gente murcha quando as luzes da cidade são convites para sair, respirar o ar e curtir tempo com pessoas que há tempo não vemos.

Tem aqueles amigos que sintonizam conosco porque estão trabalhando no mesmo lugar, falam sobre as mesas coisas e dificuldades e gostam quase sempre de uma conversa longa, daquelas que prometem inúmeras séries em outras oportunidades. Depois a distância nos faz conhecer a saudade e a vontade de reencontrá-las chega nesta oportunidade.

Se você é do clube deprê, sacuda-se. Há tanta gente querendo te ver novamente. Dá folga a sisudez, alegre a versão cantada pela interprete baiana. A vida é colorida e iluminada quando a gente está disposto a isso.

Eu, cismando o pensar, já estou buscando amigos e amigas outros e outras para uma reunião, nem que seja a primeira e última do ano. O bom é se encher de digitais e compartilhar gargalhadas.

Então? é Natal chegando.



Estatutar



Quando li sobre o Estatuto do Homem acreditei ser para todas as criaturas pensantes do Planeta. Não viriam estatutos outros como da Igualdade racial, por exemplo.

Nós temos tanta carência de compreensão que esquecemos as diferenças das ações. De uma coisa, o pensar muitas vezes aflito já cismou: a igualdade só esta distante porque insistimos em sermos diferentes, negando oportunidades, inclusive da informação.

Quem disse que a minha cor amarelada, desbotada precisa de uma legislação? A compreensão é bem outra.

Sem violência

O dia internacional da não violência contra a mulher será lembrado amanhã. Cismo o pensar e vejo que a situação feminina é bem diferente da condição mulher.Hoje, nós estamos diferentes porque vemos as oportunidades surgidas, a partir do momento que decidimos por isso.

Sair da condição submissa e bater pé no mercado de trabalho acelerou a concorrência nossa contra o tempo. Enquanto ganhamos dinheiro e pagamos as nossas despesas e respondemos por nossos filhos, aumentamos a cobrança íntima da insatisfação materna. Porque ser mãe é ter tempo para ver a família mais perto e conciliar sentimentos.

A mulher vence empecilhos na sociedade, mas continua presa ao peito que dá o leite ao filho. Mas, é possível parir e iluminar a mente dos meninos e meninas nossas envolvendo-as com o amor que não há tempo que elimine e não há oferta promissora de cargos que o extinga.

Nós mulheres só ainda não conseguimos ver o mundo masculino como é e, muito menos, nos fizemos ser vistas no interno mundo feminino.

Desligamento



Nada mais solitário do que o ato do desencarne, digo no sentir-se desligar. As pessoas logo se afastam como se a mudança pegasse. Mesmo o choro nos deixa sozinhos. Sei que vou morrer, desconfio do tempo. Nem sei se é bom saber...

Lembro quando criança a certeza da morte me assaltava as ideias e ficava confusa horas a fio. Nunca admiti a tese do fim. Cresci querendo fugir da fatalidade única nossa. Hoje me dou conta de que morrer é mais uma invenção humana.

Quando me falavam que voltaria ao pó, pensava que Jesus, o amigo companheiro das horas ininterruptas estava preso a um pedaço de madeira absolutamente entregue a sorte. E teimava nas preces em conversas esparsas do anjo ressuscistado.

Perguntaram-me se temia a morte. Ora, e por que não? o que fazer depois que sair do disfarce?

2012

O fim do mundo também alcança o Brasil. Curiosa vejo a imagem de Cristo que abraça a cidade do Rio de Janeiro desmanchando-se. Antes, só conhecia nas tragédias os grandes símbolos americanos.
A cena despertou a vontade de ver ... em tempo: como será o fim do filme e por que chegou até ao Rio de Janeiro, quando tudo se concentra no mundo hollywoodiano?

2012 ... faltam três anos, portando, para o fim do fim? Fico cismando o pensar com relação ao criador da ficção que tem se primado em revelar a destruição da Terra. Por que será que o tema lhe toma tanto tempo?

Pega de saia curta



Eu sou do tempo que mostrar o joelho era imoral. A advertência vinha da minha mãe, monitora de todos os movimentos nossos em casa. Usar calça comprida? Nem pensar! Coisas de homem. Só depois da aprovação do vestibular obtive autorização para colocar as calças sonhadas.

A primeira foi uma jeans - ainda com cara de calça masculina - presente da minha prima por parte de pai. Exultei! A minha paixão pelas calças jeans é um namoro sem fim. Minha mãe olhava-me sem alcançar o prazer que sentia. Reclamou de estar marcando as pernas.

Uma amiga - ai de nós sem elas - convenceu que os joelhos estariam cobertos o que me daria mais liberdade para sentar também. A minha mãe vivia dizendo que eu não me sentava como uma moça direita. Até hoje estou para saber os porquês.

Não bastava ser moça (virgem) naquela época. Tinha que se comportar como tal. O que era necessário? Usar etiqueta? O lero de hoje é por conta da moça que quase perdeu a faculdade por conta do vestido curto. Se ela estivesse usando uma calça jeans...

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....