Morando na amizade

É, a amizade é uma morada.

Nela você se abanca. Desarruma, arruma, relaxa.

Faz festa com muitos amigos ou só.

Quando bate a porta e sai é invadido por um enorme vazio.

Aí, você percebe que, a chave está na sua mão.

Retorna, é bem recebido e corre para o abraço.

É, a amizade é um grande colo.

É o ombro que aconchega,

Que embala,

Que convida para ser e estar melhor.

Aos meus amigos, meus grandes presentes, a minha eterna gratidão!



As minhas moradas

 


Eu sempre escolhi onde morar. Moro em qualquer lugar que o pensamento e o corpo me levam. Já morei na tristeza. Larguei porque é cansativa, enfadonha, adoece. 

Morei no entusiasmo também cansativo porque me forçava a correr, mas não me levava para muito longe.

Morei na incerteza. Um grupo imenso de indagações, que nem sempre eram questionamentos valiosos.

Morei no susto. Epa! aí cheguei e chego a me demorar ainda, por ser muito frenético. E, acredito, tem a ver com o meu pensar.

Morei na alegria. Comprei todas as fichas porque é muito mais vibrador e contagiante.

Morei no desespero. Quanta incredulidade, quantos becos sem saídas. Socorro! quero subir!

Morei na filosofia... ah.... aí a conversa é contínua e me entendo, por final, sábia.

Morei na psicologia. Acredite: a noia e a paranoia me auxiliam sempre.

Morei e moro na arte: esta coluna é mais bendita de todas. É um fascínio inebriante, empolgante, criativo. Aí, de verdade, é a minha morada.


Morando inselfie

 A imagem tem um poder incalculável em mim. Falo do que fotografo com a mente. Lá, o arquivo é infinito. Algumas desbotam por falta de visualização frequente. Outras estão tão nítidas por não serem papel. Ah, que dádiva ter estantes múltiplas no ser!

Há aquela ou aquelas que não são preferidas mas, mesmo assim estão guardadas. É como a roupa que não nos cabe, mas que por conta do apego, guardamos. Se não é fácil despejar fora tudo o que tem nas gavetas dos armários, é compreensível segurar esse painel de cores.

E quando rasgo detonando

a memória fotográfica, eis-me em nova pose, novo cenário. Hoje, com os aplicativos tecnológicos podemos nos transportar, criar ilusões, ampliando assim a mente!

Como editores de imagens, precisamos aprender a lidar com essas ferramentas, que um dia também serão obsoletas. Uma verdade é certa: jamais seremos ultrapassados, neste sentido. 

Por enquanto, gratidão por não sofrer de afantasia.

Morando na filosofia?

 Às  vezes me pergunto se trabalhei muito para agradar as pessoas. 

Ou para atender às pessoas que existem em mim. Sempre fui questionadora. 

Nunca aceitei só por aceitar. E isso me trouxe muitas angústias. Confesso que essa Fátima (este nome também me incomodava) foi e tem sido o meu acelerador. 

Quando menina me imaginava num carro numa estrada sem curvas e sem motorista. E na fantasia de que tudo me seria possível, voava. É, o meu carro tinha asas.

E foi aí que me tornei Alice e mágicos foram e tem sido os meus momentos. E graças a Lewis Caroll, percebi que não precisava entender, bastava que me permitisse ser.




Morando na psicologia?


"Para quem só sabe usar martelo, todo problema é um prego". Abraham Maslow, o considerado psicólogo humanista, bate aqui num teclado do Pensar, fazendo-me lembrar que já bati muito (e continuo batendo) em teclas vivas. Na maioria das oportunidades, para sobreviver neste mundo da base da pirâmide, noutras para mostrar que sou mais inteligente, mais esperta e que o mundo precisa de pessoas como eu para se tornar melhor. Autorrealizada? 

É, tenho sido um martelo. E agora vem a lembrança de uma frase - quase mantra - que a minha mãe costumava repetir: "Prego batido, ponta virada". A princípio o ditado da minha genitora despertava-me curiosidade acompanhada de sorrisos. Era a minha saída para responder o que eu não entendia. 

Gosto de me agarrar às frases repetidas porque são gatilhos - grandes ou pequenos- que cutucam o meu pensar. 

Costumo repetir os ditos e ditados populares reconhecendo aí a sabedoria de quem os criou e de quem é seguidor. A vontade de escrever sempre me perseguiu e Abraham Maslow dá corda: " Um músico deve fazer música, um artista deve pintar, um poeta deve escrever. O que um homem pode ser, ele deve ser."

Gratidão Maslow.


Cebola

 A cebola faz  chorar. E quando é motivo de alegria, vira notícia. 


Está nas primeiras páginas da nossa mídia, sempre atenta para flagrar, registrar a angústia nossa e os poucos prazeres do dia a dia. 

Você correria e trocaria até tapas para pegar a quantidade maior de cebola em um supermercado? A resposta mais óbvia poderia ser: Não! mas quando se vive numa época em que comer está sendo um dos maiores desafios, até para quem ganha bem, comprar algo que cabe no orçamento é imperdível! 

Vejo aqui, no conforto da cadeira e com ajuda do notebook, a correria e faço um esforço para não me espantar. Não diante da briga dos clientes de um supermercado no Distrito Federal  que na inauguração vendia o quilo da cebola por 99 centavos. 

Isso é loucura? É ilógico? Claro que não! Quem já entrou em um supermercado necessitando de tudo em casa e sem nenhum recurso financeiro, sabe muito bem, o que é ser a angústia de comer só com os olhos. Essa situação é um grande alerta para um povo que grita de fome.

Uma vez em casa, para os que conseguiram comprar e pagar à vista o produto desejado,  terá o complemento para usar a hortaliça? A cebola cai bem em tudo o que se prepara na cozinha, mas, há isso?

Envelhecer


O tempo não pára. 

Quem não sabe disso? 

E quem não deseja loucamente segurá-lo? 

Quando o tempo mostra sua cara diante do espelho real, a fantasia grita porque quer a adolescência dos sentimentos. 

O que é permitido para alguém que nem mais cora diante de algo que antes mexeria com a sua libido? É prova de maturidade? É irreal? 

Não me olhava tanto assim no espelho, pelo menos não lembro por quanto tempo aproveito a imagem refletida e busco reflexões. 

Ainda estou muito estranha. Quem é você? Este corpo me pertence? Por que não acompanhei? É tudo tão efêmero hoje! A embalagem conta mais que o presente? 

Lembro que costumava guardar as sacolas bem feitas, coloridas, os laços de fitas. Acho que numa tentativa de segurar o tempo. Só que depois de algum tempo guardadas perdiam o colorido e eu me desfazia. 

Será que conseguirei sem muitas noias jogar fora os laços que desbotaram e hoje necessitam de um desligamento? 

Quero me reciclar. Como preciso!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...