Piano


 Piano, pianíssimo....

Quando garota, sonhava em ser artista. Sempre considerei a arte uma saída brilhante para qualquer momento escuro que eu vivesse.

Então, queria tocar piano. Amava aquele instrumento. Aquele móvel imponente, ocupando um espaço da casa. Aquela cauda... as teclas bicolores. O pedal, lembrando que o corpo é uma sinfonia, trabalha junto: mãos e pés.

E o som? há algo mais envolvente do que o som que sai dali? 

Experimentava tocar no ar quando deitada no escuro (que me metia medo!)

Não podia ler por falta de luz, então sonhava ser uma pianista. De repente, o escuro do quarto isolado, assombroso, virava um grande salão. E nesse transporte lá ia a pianista em concerto, consertando o que havia quebrado dentro de mim.

Piano...

Hoje, teclo, teclas pretas como a falta de inspiração. Teclas que tocam a mesma música, mas que me possibilitam jorrar canções da alma em forma de textos.

Piano...

Pianíssimo, lembro que as teclas tocariam baixinho, considerando que a plateia estava dentro de mim.


Piano

  Piano, pianíssimo.... Quando garota, sonhava em ser artista. Sempre considerei a arte uma saída brilhante para qualquer momento escuro que...