IA conversa comigo

 Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você. 

E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade. 

E não fiquei curiosa. 

Gostei da honestidade da IA. 

Tudo aconteceu quando tentei lembrar o nome de uma música e escrevi o trecho na janelinha do Google.

O texto em questão é da canção Meu Cofrinho de Amor. Tão lindo este nome, né?

Assim que introduzi Você é meu céu é minha vida, meu amor, minha querida....

Quase sempre faço isso. Brinco ou brigo com a memória, tentando lembrar o nome, a pecha....

Já pensou em agir como um computador? 

Ser acionado e responder honestamente?  


Quem esqueceu o quê?

 

Não é sempre, mas existem manhãs em que eu fico lendo coisas que me fazem muito bem. Podem ser piadas, podem ser textos filosóficos.Uma chamada de atenção para o meu viver não muito pacífico.

E entre um gole de café e outro, uma mordidinha na minha tapioca preferida, olho para o fogão que está bem à minha frente e vejo que o fogo que cozinhava os ovos está desligado. Paro e me pergunto, eu desliguei quando?

Será que eu já estou no nível senil e não lembro das tarefas recentes?

Mas na mesma hora eu me compenso respondendo que pela manhã fico tão no automatismo, que não percebo o que faço.

É um pilotinho automático que toma conta da vida. Que me faz colocar um brinco para depois no caminho, ficar segurando para ver se coloquei o par igual.

Ficar buscando a lembrança, que brinco peguei, já que a gaveta tem tantos?

Entre a perda de memória da senilidade, (não sei se senilidade seria a colocação certa) prefiro pensar que é o automatismo.

Afinal, a repetição faz parte da minha rotina.

Ainda bem que eu me compenso em abrir as janelas e portas. 

Olhar para esse céu infinito...

Dar uma fungada no tempo e sentir esse ar ainda não tão poluído que as manhãs nos oferecem.

Porque à noite, quando a maioria dorme e deixam as ruas, a terra respira e nos dá de volta esse ar de alento.

Que maravilha!

E diante dessa imensidão, o que é que importa, em qual momento eu desliguei o fogo?

Recado musical


Um dia, a esplêndida Danuza Leão, num daqueles momentos criativos que tinha, falou sobre a música como um recado. Ela destacava a paquera nas danceterias, utilizando frases de compositores, que não nos conhecia, mas que  mesmo assim, falava por nós. A crônica da jornalista me veio agora com uma grande força. 

Ela falava por experiência própria de quem lê a alma feminina. Assim como a minha lembrança me leva de volta às pistas, quando percebia um certo olhar insistente.

Fingindo não ser comigo, olhava em volta para ver quem seria o alvo do interessado. Percebendo tratar de mim mesma, devolvia o olhar, que não ia sozinho: levava o meu jeito de gata, que arranha quando o tecido era suave, só para ver até onde aguentaria.

Vem à mente a letra que tecia a rede da prisão lançada. Era magia pura!

Assim deixava-me invadir. 

Dançava, dando voltas para confundir o alerta de perigo: não cai nessa de novo!

Seguia em frente porque não eram os pés que me lançavam.

Era o sentir-se viva, representada pela letra que prometia.

A paz(s)

 


O que vocês terão aqui é paz com S
. Uma frase solta para quem quiser pegar no ar?

Ok, a princípio PAS com acento é plural de pá, um instrumento para cavar pisos, areias, abrir buracos. Se a idéia é afundar, não afundaremos juntos.

Rebuscando a net encontro que paz com s considerada gíria, é usada como meme ou hashtag e significa simboliza tranquilidade e "vida que segue" sem confusão.

No balé refere-se a um passo ou movimento de destaque executado por um ou mais bailarinos (como o pas de deux). Em francês, é um advérbio que compõe a estrutura de negação na língua, significando "não" (ex: je ne sais pas, que significa "eu não sei"). (aqui peguei a frase como estava na net)

Quem cuida?

 Cuida, que o tempo corre. E o que se ouve dizer. Mas, o que é cuidar?

É estar sempre atento?

É praticar agilidade?

É ouvir tudo, prestar atenção no que não deve?

Cuidar por muito tempo foi aquele prestador de serviço que tomava conta.

Tomar conta é não fazer por onde. É fazer o que o outro espera que você faria.

Então, vamos cuidar do que está por vir, preparando o hoje até o fim?

Permissão


Por muito tempo e, acredito que até hoje, por mais estúpido que seja, nós mulheres precisávamos pedir licença para existir. 

A existência da individualidade nos foi negada. 

Só a respiração, pelo seu processo natural, nos era permitida sem a devida permissão dos "donos". 

Não, não éramos e nunca fomos coniventes com situações assim. 

Éramos constrangidas a "aceitar" para continuarmos sobrevivendo.

Agora, cismo o pensar: a quem devemos pedir licença? 

E quem nos deve permitir tal feito?

Vendo-me por dentro, percebo, sempre que posso, que a permissão para continuar nunca foi invertida. 

Ou seja, não me dava conta de que precisava solicitar a mim mesma, licença, alvará, seja lá que nome receba, para continuar em busca do que mais preciso. 

Será que o meu pedido de licença expirará um dia, antes mesmo, que seja concedido? 

A filosofia como morada

 Lendo uma pequena informação sobre o trabalho do filósofo Henry David Thoreau, cismei o pensar a respeito do meu eu, naquele descortinar que busco sempre para alcançar-me. Lembro que muitas vezes evitei esse contato porque, não percebia, mas eu fui (acho que continuo sendo) a minha desconhecida. 

O filósofo em questão coloca, de uma forma clara, que em sua casa havia três cadeiras: uma para a solidão, uma para a amizade e uma para a sociedade”. Sentar na primeira significa um encontro quase que real do íntimo; na segunda cadeira, a busca pelo outro e na terceira, a persona que à sociedade se apresenta.

Para o filósofo que defendia, o que para muitas pessoas virou tendência, o pouco enriquece muito mais do que o acúmulo. Nessa viagem interior, Thoreau viveu afastado, numa pequena cabana situada numa floresta, durante dois anos. 

E eu, aqui, quantas vezes me perdi, na densa floresta dos meus pensamentos. 

Quantos assentos ocupei, numa tentativa de encontrar-me, deparar amigos e ser aceita numa sociedade que só impõe costumes, dos quais quero
fugir.

Ah.... quem disse que a filosofia pode ser vã? 


Ah....a poesia

 


A poesia nem sempre desponta ou aponta para algo que costumeiramente está à nossa frente. É como diz Adélia Prado: olho pedra e vejo pedra mesmo. 

São nos descuidos da alma flutuante que a pedra deixa de ser material. 

A poesia não é pra ser descoberta. Ela mora em todos os lugares. Em todo o ar que se respira. 

Nos momentos de dor, ela submerge em busca de ar, para outra vez conquistar a superfície. 

Pensamos que a dor nunca vai passar, mas passa. Pensamos que tudo é eterno, mas não é. O pensar latejante de Clarice Lispector nos desperta para a instalação do poeta, que depois de afundar, aprendeu a nadar. 

A poesia já me foi dolorida. Noutros momentos, surpreendente!

Em outros, merecedora de todo a minha atenção.

Em tudo vejo poesia, assim como o jornalista Alberto Perdigão nos fala sobre a essência que não quero perder. Não preciso passar por essa transformação. 


A imagem é de Michael_Pointner


Chão de flores


 A vida é uma grande estação. Sentimentos que vêm, sentimentos que vão e sentimentos que ficam. 

É preciso ser estação, base para os que vão e para os que permanecem.

Todos os dias, eu me despeço de algo que me dá muito prazer. 

Mas costumo reter os que incomodam. Nunca parei pra pensar se eu tenho algum problema com a felicidade.

Hoje, com o utensílio mais conhecido no mundo, que é uma vassoura, voltei a varrer o meu quintal, deixando à mostra seu piso e tirando flores.

 Essas flores coloridas, belíssimas, de vida tão efêmera, caem sempre do jasmim, largando no ar o seu cheiro.

E eu não considero isso uma sujeira. As flores, assim como as folhas, elas não sujam. (1:37) Elas só seguem o que a natureza manda.
Saíram de uma semente, cresceram, viraram flores, me encantaram,  deixaram meus dias mais coloridos, mais alegres.  E eu agora as varro. Não é um lixo.
Mas eu preciso livrar meu chão para que novas flores venham. Não se acumulem, não se estraguem. Não embotem a vida.
E assim elas seguem. As flores que caem, porque não mais se sustentam nos galhos. Vão para o chão, seguindo a gravidade.
Me livro delas, porque sei que outras virão.

Lembrança irônica


Eu li há pouco a frase que diz ser contraditório ficar triste com lembranças felizes. Fiquei refletindo a respeito, vendo em mim, que as boas lembranças, as que costumo chamar de felizes não me dão nostalgia. 

Eu, em muitos momentos, chego até a sorrir.

Olhar para uma foto flagrante de um sorriso verdadeiro, roubado pela câmera do fotógrafo, é estupendo. Volto no tempo para lembrar a razão, o motivo que me deixou tão escandalosamente feliz.

Sim, porque ser feliz é um escândalo. Uma forma quase que inesperada de alegria incontida. 

Que ironia ficarmos tristes com lembranças felizes (desconheço a autoria) é uma chamada para continuarmos criando mais tempo feliz. 

Se um dia, a felicidade me visitou, ou se me visita sempre, devo alimentá-la. Deixá-la bem saudável para que me alcance sempre, mesmo que por cegueira minha, corra para evitá-la. 

A menstruação ainda é tabu!

Acredito hoje, na maioridade(!!!) que a maior libertação foi a menopausa. Tirando os efeitos (calor intenso, fadiga, farnizim e a vontade de mandar todo mundo se lascar) a menopausa é um alívio para mim. Ser chamada de 


menopauzada pesou, e muito. 

No entanto, ganhei um vale bônus. Os inúmeros pacotes de absorventes sairam da cesta básica. E, agora, fico lembrando do tempo dos paninhos. Aqueles pedacinhos de tecidos brancos que ficavam com manchas vermelhas, tiradas a muito custo com o sabão em barra. Lembro até da marca do bastão, Pavão. Pra mim era a pior parte porque a minha jogava de volta para a bacia de alumínio (não havia tanque de lavanderia) para serem lavados outra vez, até que o branco genuíno retornasse.

E você, que me lê, deve estar se perguntando por que trago esse tema hoje. É para me libertar da angústia de saber que no mundo, milhares de meninas, mulheres no período menstrual não contam com higiene nesse período. São 500 milhões no mundo. 

É para libertar o sentimento de indignação de saber que muitas de nós somos submetidas, maltratadas durante esse período. Que o preconceito ainda nos cerca. A menstrução causa vergonha, ainda!

Desde o início da história da humanidade que a mulher é tida como ser estranho por conta do sangramento. A rapper brasileira Bivolt, aborda em Dignidade pra Fluir,  a pobreza menstrual e a falta de acesso a absorventes. Pagu tornou-se um hino feminino clássico, em que Rita Lee ironiza o tabu que envolve o ciclo: Mulher é um bicho esquisito, todo mês sangra.

A imagem eu capturei do site https://www.sara.com.br


Delete ao meu deleite


 A força do delete é impressionante. 

Assim como outras teclas que nem sempre são usadas por conta da presença do mouse. 

Precisando fazer um backup para a função apagar sem deixar vestígios de frases soltas, medos sem origem visível ...

A quantas andam os passos furtivos da memória, que molesta a presença do momento?

Nesse baú de lembranças, há que se deparar com coisas que significaram muito e que tiveram, viveram o auge, no seu devido tempo.

Acabei de ler uma frase interessante viver não é sobre esperar a tempestade passar. É  sobre aprender a dançar na chuva. Não se conhece o autor com precisão, mas o convite à resiliência é atribuída à escritora americana Vivian Greene. 

E eu, por aqui, em busca do discurso para dizer ao ego, repetindo que não devo apenas dançar na chuva, mas também, cantar na chuva, imitando o espetacular Geny Kelly.


Apostando na velhice?


 Ensaio para velhice. Como seria? Tirar fotos escondendo as rugas do pescoço. Aquele formato que ninguém gosta, lembrando a papada de um peru. 

Esconder os braços flácidos com mangas longas. Levantar os olhos e o queixo na hora da selfie. Aumentar volume dos lábios para disfarçar o código de barras que insiste, que salta aos olhos. 

Ninguém te prepara para ficar velho. A aposta é na juventude eterna, como se envelhecer fosse algo obsceno, criminoso. 

Aprendemos desde cedo que lugar de velho é no fundo da rede. É aquele traste que demora a morrer. 

A planta esquecida no vaso do canto da sala, que só é tocado quando é necessário varrer atrás. E quem vai olhar para as costas de um vaso pesado, no canto esquecido, lugar ideal para aranhas e outros peçonhentos? 

Figuras famosas, como a Oprah, afirmam que envelhecer é uma merda! Rita Lee que rompia tudo, também comparou a velhice à uma ameixa seca, ao mesmo tempo lembrando da importância da fruta para desencalhar o intestino. 

Olho-me no espelho, somente eu e aquela peça que já me mostrou como eu fui uma grande aposta física. 

Na verdade, o envelhecer é um grande aprendizado. A gente pensa que já deixou a sala de aula da vida, aí tudo muda! Você passa a lidar com as limitações. O vigor do corpo não se retém com exercícios, o máximo que se consegue é fortalecer os músculos, para que o andador seja adiado. 

O que mais temo na velhice é perder a individualidade. Deixar de fazer coisas simples como passar um café, a minha bebida preferida. Caminhar no jardim, arrancar matinhos para que as flores continuem me encantando. Pegar um uber sozinha, tomar chopp, vinho, comer sabores novos para um paladar já cansado de tantos temperos. Nada é mais temível do que a perda da individualidade. 

Conheço idosos que são cumprimentados quando visitas chegam para os mais novos da casa, apenas na entrada e na saída. Ninguém puxa um assunto porque sabe já de cor o que ele tem a dizer. E o que é a vida, se não uma grande repetição? 

Gentilezas, amor sem limites


 As gentilezas surpreendem. 

Estamos tão acostumados a lidar com dificuldades, que quando ocorre de uma pessoa que você nunca viu e lhe faz um gesto, sem nada dizer, mas que te auxilia muito, é uma surpresa brilhante. Te toca a alma. O coração passa a ser ouvido porque salta de alegria.

Estou falando de um garoto desconhecido. 

Estava na encruzadilha da avenida Pontes Vieira e a Rua Barbosa de Freitas, tentando entender porque o sinal vermelho para pedestres coincidia com o sinal para os carros. 

Estavamos ali parados eu e os carros. 

Aí, ele veio, um belo adolescente. Olhou para mim de soslaio, com brilhos nos olhos. Tirou o fone de um dos ouvidos, apertou o botão que aciona o semáforo para pedestres. 

Julguei que também iria atravessar. Só que não. Recolocou o fone no ouvido, deu uma última olhada e seguiu em frente na avenida Pontes Vieira. E eu agradeci em pensamento e solicitei aos céus que o iluminasse sempre!

A sorte vem dos biscoitos


Hoje quero quebrar o biscoito para ver o que a sorte me envia. 

Os biscoitinhos eram mimos de restaurantes orientais, aqui na minha cidade, para quem devorava aquelas comidas gostosas e leves.

Comer diferente nos leva a lugares diferentes. 

A sorte enviada pelos biscoitinhos serviam como passagens para tempos remotos de uma infância assombrada. 

Cresci ouvindo coisas, vendo coisas. .. Frutos da imaginação? 

Diziam que era bem doida e nessa maluquice cá estou eu, em busca de mais assombros. Isto, porque a realidade nossa assusta muito mais e não oferece saídas inteligentes, enquanto que o irreal(?) me transporta para diversas trilhas, que por sorte, me permitirão encontrar-me. 

Eu e o Universo

 O pensamento se repete assim: de vez em quando o pensar do outro chega a me incomodar até que descubro que apenas faço ideia do que a pessoa possa pensar. 

Que ousadia a minha chegar a querer saber o que passa na cabeça do outro. Na verdade, é na minha cabeça que tudo mora. 

Olhando para os lados, em todas as direções, percebo flagrantes que antes não me eram notados. 


O ceu na sua infinitude, as paredes fixas roubando a cena, o barulho que a mente faz quando os olhos não captam o que a Natureza representa. 

Eu e o Universo, pomposo, rico, maravilhosamente imenso, diante da minha pequenez nem sempre serena. 

O que eu poderia ter feito/fazer para percebê-lo? 


IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...