"A senhora não tem o que fazer?"


Pois é, eu sou do tempo que reclamar era falta do que fazer. Era ser enjoada, chata e paranóica. O tempo avança e o homem também. O código do consumidor está aniversariando neste mês. São 16 anos de conquistas suadas, e também fedidas.... como o cheiro das corrupções estampadas no ar.

Mas, avanço é avanço. Espalha e se instala feito erva daninha porque pra garantir direitos conquistados, há de se comer muita grama. Desculpa aí, o mau jeito. Digo: avançar significa gastar tempo.

Lembro quando iniciei a batalha no muro das reclamações. Foi no antigo Romcy Montese. Eu, resoluta, com uma pequena embalagem de produtos para feijoada quase mortos (havia vida ali que eu não queria dar para a família), fiz-me consumidora reclamante.

"A senhora não tem o que fazer?" foi o estímulo que recebi do atendente ao se deparar com os pequenos vermes.
- Sim. Estou fazendo, respondi atrevida e ciente dos direitos.
- "E o que a senhora quer que eu faça?"
-Que troque por algo mais novo e comestível, repliquei estrebuchando-me entre os desaforos que a mente explodia.
-"Ah, isso não é comigo, não! Vá reclamar com o gerente".

Despachada, de primeira, fui ao gerente. Poucos minutos depois, saía com uma outra embalagem, desta vez, violada por mim para identificar possíveis condominos.

Essa foi uma das inúmeras reclamações que fiz e que pretendo continuar fazendo, sempre que necessário.

Voto nulo, não.


Apesar de entender as razões dos que defendem a ausência nas urnas, em outubro próximo, eu irei.

Mesmo percebendo a indignação dos que defendem voto nulo, eu indicarei representantes.

E pode acreditar. Eu levo em consideração os motivos de tristeza, de melancolia, de desespero mesmo, dos inúmeros desempregados, não obstante, confirmarei o meu voto.

Por um motivo racional: eu não posso desistir. Quem sabe, eu não acerto?

E quem sabe os escolhidos não resolvem levar a sério a minha confiança?

Onde começa a paz?


O poeta Nando Cordel nos socorre dizendo que "A paz do mundo começa em mim".

É fazer gritar o Eu pequeno, que chora, que não cresce.

É fazer calar a preguiça, a má vontade crescente ainda, dissimulada, e que se esconde sempre quando tento reverter a capa grossa personificada.

Mas não irei juntar-me aos milhares que sairão hoje às ruas. Vou tentar identificar o ser antigo, teimoso e buscar adeptos nesta caminhada.

Sei que serei escutada e estimularei para ser ouvida. O jovem é o alvo.

Nem toda disciplina é pra ser aprovada

Meus filhos cresceram, ou pelo menos estão mais altos. Pensamento de mãe que não quer deixar de oferecer o seio e quase sempre reclama intimidade. Estava assim envolvida com a maternidade, quando a principal manchete de o Povo de hoje, me chocou. Ainda bem que não me psicoadaptei à extraordinária insistência da violência nossa.

A matéria em questão denuncia que o IPPS tem uma escola de sequestradores, tomando a liberdade de completar, insinuei que o presídio já é uma escola, e que o seqüestro é só mais uma disciplina. Como toda a denúncia traz reflexão, fiquei presa à imagem de uma criança ao lado da mãe, num indicativo de que estava indo ao encontro do pai ou parente próximo.

O sugestivo título de escola e uma criança a caminho provocaram em mim uma imensa tristeza. E ontem, a gente comemorava a liberdade.

O 7 que Se(tembro) pinta


Hoje, acordei 7 de Setembro. Temos aniversário com festas e bandeiras carregadas de números. Não é a bandeira que aprendi com dificuldade a traçar no meu caderninho, lá nos idos da infância. Lembro, que a mando da professora, ensaiava a arte e sempre quebrava a ponta dos lápis na tentativa de dar cor aos meus maus traçados riscos.

Interessante, que naquela época, a pátria pra mim era apenas um tema incesssante e repetitivo. As escolas assim procedem: acompanham as datas infinitamente.... Fui boa aluna de História. Decorava datas com facilidade. Não abstraía e, muito menos, percebia-me cidadã brasileira.

Cresci alienada e sonhadora porque nos idos anos 60 o país sediava momentos angustiosos, que passaram por mim, quase ou totalmente despercebidos. Não sei se foi melhor assim!

Depois, na escola superior, vi-me fora do nicho político. E quem perguntava porque evitava os grupos eu nem lembro o que dizia. Não vivi a experiência da efervescência da época. Fui coadjuvante do filme que dá respaldo a muitos outros irmãos na brasilinidade.

Continuo crescendo e acompanhando de perto com sustos, desvarios, e até lágrimas, o produto do que somos.

Olho pro céu de anil, vejo o brilho do sol que a tudo permite viver, inspiro o ar da minha casa maior e agradeço por me entender igual ao passarinho incansável, que tenta apagar o incêndio. Nesse momento, pincelo mentalmente as cores do país emprestadas pela natureza.

Quero meu dinheiro de volta!!!


Quando vou pagar as contas, é impossível não sentir o constrangimento de ir para o caixa deixar quase todo o meu salário lá. É um adeus definitivo das cédulas.

Digo constrangimento porque sou obrigada a desfazer-me da grana esperada mensalmente. Hoje, as contas vêm mais transparentes(?) demonstrando a porcentagem de impostos que quadriplica o que foi consumido.

Cada vez mais me sinto menos consumidora e mais consumida. E ainda dizem que dinheiro na mão é vendaval. Eu diria melhor: tem um vendaval contínuo que me deixa de mãos vazias, que desocupadas, me ajudam a segurar a cabeça e pedir socorro.

Conhecendo a escolha

Nós continuamos vivendo as nossas escolhas, administrando os nossos caminhos, gerenciando o que dizemos.

Ah, a palavra "tem vida". Uma boa lembrança para os que fazem promessas. Uma vez no ar, solta, já não mais nos pertence.

Não é só uma questão de respeitar o que cativa, mas, sobretudo, cativar a si mesmo pelo que espalha.

Vivemos momentos de escolhas determinantes para o país. É preciso conhecer as nossas dificuldades para aprender a superá-las.

E, enquanto isso, lembrar que antes que os outros decidam por nós, nós escolhemos o outro e lhe damos aval.

O discurso pode ser do outro, mas nós sabemos filtrar e apontar a seta para o alvo mais condizente. Digo melhor, está na hora de abrir os olhos, ouvidos e fechar a boca para que não nos confudamos.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...