Feijão com arroz: o prato que deu certo!



O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome lançou, em dezembro do ano passado, a campanha permanente Brasil que Dá Gosto. A intenção é a cada ano mostrar a população a importância sobre a educação alimentar. Neste ano o foco será o arroz e o feijão, dois alimentos que possuem uma importante combinação nutritiva.


Como sempre me ocorre, o pensar voa no tempo em marcha a ré. Vejo-me menina, fazendo bico para não comer o feijão de corda. Era coisa de pobre. E o que diabo eu era? A mesma rejeição se repetia diante do prato de sopa e de peixe. Aí não eram mais coisas de pobre no meu pensar infantil, mas era porque danadinha, ganhava as ruas e ficava com uma fome enorme e demorava a dormir.


Até hoje não sei porque cargas d'água o feijão verde - o disputado prato da atualidade - era objeto de pouca estima para mim.


Hoje, como feijão com arroz e me sinto ricamente alimentada pela consciência da consistência desses dois produtos.


Igualdade


Igualdade na miséria. Esta é a isonomia social que conquistamos. O pensar é da professora Adísia Sá, uma das mulheres mais lúcidas que tive a oportunidade de conviver. O pensamento faz parte do discurso temático da jornalista durante sessão solene realizada pela Assembléia Legislativa em homenagem às mulheres.


A igualdade de direitos e oportunidades é um sonho antigo da humanidade. No entanto, a ação que poderá reverter a situação caminha a passos lentos, enquanto a miséria corre célere. Antes de trabalhar para conquistar espaço no mercado, nós mulheres ralamos para garantir o sustento nosso e dos filhos.


Angustiante é ver as mulheres aposentadas fazerem milagre com a pensão simbólica para dar comida aos netos, ampliando suas dificuldades com empréstimos consignados.


Antes - confesso - tinha gastura de ouvir algumas militantes repetirem o discurso contra a política econômica num linguajar próprio. Muitas delas foram alijadas da mídia devido à insistente posição. No entanto, vêm dessas mulheres a garra e a coragem de protestarem contra uma situação, que marginaliza quem trabalha muito e ganha pouco. Ou melhor, nem ganha: é pouco pago.

As rosas


As rosas vermelhas têm um efeito reparador. Acalmam ânimos, relaxam o ambiente e reatam relações estremecidas. Lembro que as rosas nada me falavam durante um certo tempo. Também, pudera, não as recebia, com exceção da solitária rosinha, sedenta que me chegou numa hora arisca e foi abruptamente jogada janela afora.


Insensível no momento, nem lamentei o ocorrido.


Neste domingo, senti-me lembrada solenemente. As rosas brilham, reavivam o ambiente e ressucitam a natureza morta dos moveis. As mulheres fazem os homens serem mais ternos e mais mãos "soltas" porque - convenhamos - as rosas são as flores mais caras do momento. Mas, prazer de ver um sorriso não tem preço, não é verdade?

Quatro de março



Porque o dia quatro de março é marcante: inúmeros amigos com braços abertos envolvem-me na luz carinhosa, que de todos emanam.


Eis-me aqui devolvendo. Afinal, a vida é uma troca sem fim. E isso é simplesmente maravilhoso.


Da amizade alimento os dias, ilumino as noites e assombro os fantasmas que me seguem.


Dos amigos vem a confiança de que viver vale a pena.


Para os amigos, a lembrança perene de encontros e reencontros.

Mulherando




O Dia Internacional da Mulher está chegando. Neste mês reparo mais em mim porque também é data do meu aniversário (04/03). Vejo-me trabalhando plenamente, neste aspecto, estou bem, desenvolvo uma atividade que me dá muito mais prazer, apesar dos contratempos.


Mas contratempo tive em outras décadas. Quando menina, não podia ouvir conversa da mãe, mulher adulta. Aliás, sou do tempo que as meninas não tinham acesso as informações mais importantes e por que não dizer, vitais, como lidar com a menstruação, por exemplo. Lá em casa, isso era assunto proibido e as cólicas no período eram conhecidas como dor de mulher. Veja só!

Qual o quê!


Quando idealizo eu sou uma pessoa solitária. Ninguém vê o que eu vejo, o que desejo e a intensidade de brigar pelo que acredito é só minha.


O diabo é que de vez em quando esqueço a solidão e busco companheiros. Qual o quê! Só depois de algumas bordoadas dou-me conta da necessidade de largar o osso muitas vezes defendido igual a cão ciumento.

Amadurecendo



O que é melhor, um marido ou uma excelente empregada? A empregada! Esse é um dos dialogos que tive com uma amiga, que já casou seis vezes. Por que tantas tentativas nem ela sabe! E quanto vai durar o casamento atual, arrisquei. Acho que para sempre, brochei. Risos frouxos com um entendimento íntimo. Afinal, mulher que já casou mais de uma vez sabe bem sobre o tema.


Eu já casei duas vezes. Hoje estou namorando. Sim, com direito a mãos dadas, saídas às sextas-feiras e gargalhadas. O meu namorado é o meu maior amigo. Lembro que um dia li a respeito do companheiro ideal, aquela pessoa que te ouve e que você em troca, dá ouvidos. E dá muito mais, permite-se descontentamento mas, sem a exigência costumeira.


Na vida é assim. Ou você amadurece ou cai de podre.

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....