Na rede

A professora Adísia Sá chamou a minha atenção para o fato de que estou muito ligada à idade. Gente! E ela está certa. Só que o pensar leva tempo muitas vezes curto demais. Afinal, o pensamento é a carruagem veloz das ações nossas. Está sempre antecedendo o que posso fazer. Ainda bem, nesta mente louquinha minha, os teclados do computador conseguem acompanhar-me. Não sei mais escrever - com letrinha arrumada - a mão. São rabiscos difíceis até para quem escreve decifrar.

Em meio aos anos passados e os que estão para vir, fico satisfeita em identificar nos meus arquivos de coisas que não fiz. É incrível lembrar algo que não se fez. Se não vejamos: nunca posei sem rir; nunca posei de costas, destacando um dos "produtos" mais "vendáveis" do Brasil, assim como também nunca atravessei ruas sem olhar para todos os lados, mesmo quando as vias com mão única.

Não fiz e gostaria de fazer: publicar livros(sem a preocupação com vendas) fazer vasos de cerâmica com artes inspiradas no momento, com direito a fornos. Fazer mais bolos confeitados comemorando aniversários dos filhos e dos netos. E, se der.... uma rede com flores bordadas ou pintadas, com quatro pés disputando o seu espaço. Existe algo mais acalentador do que coçar com outro, o pé de alguém que se afina conosco?

Iracema

Eu poderia começar este texto de diversas formas. Mas, optei por ainda bem. Ainda bem que o maior patrimônio do homem é ele mesmo. O somatório das experiências bem ou mal sucedidas; as emoções sobrecarregadas ou as mais leves; o infortúnio (nada mais desafiante e enriquecedor) e o prazer. Sim, o prazer! O que nos leva a crer a vitória conquistada. 

Estava ainda sob o êxtase da vivência feliz do encontro de amigos. Foi assim que senti -e sou fiel as minhas impressões-, do lançamento do livro da minha grande mestra Adísia Sá. O livro Em Busca de Iracema ainda não foi devorado pelos olhos como merece a obra(uma virose cruel roubou-me esse direito que logo mais terei) assim que puder usufruir esse afã. 

Não mais que de repente na primeira página do Jornal O Povo eis o que vejo: a estátua de Iracema, a nossa virgem mais uma vez vilependiada: deceparam-lhe as mãos e lhe arrancaram o arco. Uma personagem cearense agredida na sua pureza criativa. E cismo o pensar sobre qual seria o prazer da destruição senão o desejo de quebrar a si mesmo. 

Fixando a foto de Adísia Sá no painel da rádio FM Assembleia, com o seu par de olhos a perscrutarem a minha exaltação, suplico uma resposta e  quase posso ouvir suas afirmativas – sim, Adísia não fala apenas, ela sempre afirma: Abreu, não espere que os outros faça o que você acredita. Faça você mesma.

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....