A dor ensina a gemer


Minha mãe costumava dizer que a dor ensina a gemer. O gemido seria um mantra solicitando alívio.Pode até não ser considerado analgésico, mas já experimentei o murmúrio acompanhado de lágrimas. Passei a escutar a dor – ah, sim ela tem som – convocando a energia presente pelo benefício da calma. E assim adormeci e sonhei que estava curada.


Um bálsamo tomou conta do corpo dolorido e a alma feliz saiu pululando no espaço. Não sei se a experiência própria já fez outros protagonistas. Luiz Gonzaga, o grande mestre da sanfona, aboiava – diziam – para libertar-se das dores provocadas pela osteoporose que o consumia.

Gonzaga não foi vaqueiro, mas cantou a aventura de ser, assim como a faina dos nordestinos pela sobrevivência. Hoje, a dor tem como causa o medo: pela vida, pela família. A dor é mais moral do que física, sendo assim, nem a medicina e muito menos os medicamentos irão curá-la.

No entanto, o remédio nós sabemos o nome criado pela nossa invenção. Tem quatro letras apenas, um resumo para algo tão grandioso que nos foge a compreensão: amor.

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Resultado de imagem para violencia contra a mulherFoi a última a deitar-se arrumando malas do marido e filhos e a  primeira a levantar-se para preparar café e lanches para viagem, enquanto todos ainda dormiam.  Já no carro, o marido raivoso reclama o celular que ele não pegara. Bastou uma bala e ela morre na frente dos filhos, embarcando na que seria sua última viagem aqui.

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Resultado de imagem para flor despetaladaPassou um mês inteiro sem cuidar da aparência. Até o batom dispensara. O marido passava ao largo, sentindo-se desprestigiado pela mocinha linda com quem casou. Mas no dia do seu aniversário, eis que surge linda, na festa surpresa, que mereceu sacrifício visual para festejá-lo. Quem entende as mulheres?

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Resultado de imagem para flor despetaladaA raiva lhe consumia e o rolo do filme da razão espasmódica se repetia num ciclo incessante. Era preciso alimentar a ira para não dar trégua a menor possibilidade de reconciliação. Nesse cismo, o corpo tremia clamando compaixão. Nem o olhar aflito, mas reconfortador da mãe lhe induzia à calma. A irascibilidade era agora  eleita companhia acolhedora.

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Não gostava de azul porque lembra os vincos nas belas pernas, escondidas com vergonha de mostrar que não era perfeita. A perfeição tinha sido uma eterna perseguidora. Esticava o  olho com o lápis  e as bochechas disfarçava com blush. Era a máscara usada para afastar falatórios, que não se calaram e escolheu emudecer-se diante de todos.

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A pilha de papel crescia teimando com a falta de inspiração. Rascunhos de uma vida modesta, sobrecarregada de negativas. Um suspiro, uma virada de cadeira, mão cheia na mesa. O desabafo lhe caiu bem. Afinal, era só o que lhe restava. Perambulou nas ideias sem ter onde estacionar. Veste o cansaço e põe-se na rua. Talvez o esmo lhe devolvesse a diva arrancada.

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As dívidas acumulavam, mas não chegavam junto à vontade de continuar tentando vingar o seu projeto. Portas fechadas diante de suas esperanças. A expectativa gerava tensão com a família. Todos contra. No fundo desejavam que ele entregasse o projeto e reconhecesse a luta vã. Mas isso estava fora de questão. Ser pai era um sonho que não abandonara.

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....