Morando na incerteza

À s vezes saio em busca de algo não perdido. Só que não visto.

São coisas embaçadas ou ofuscadas. Nem sei em que direção se guarda isso.

Apenas busco uma certa nostalgia por algo disperso.

Esse pensar flutua em meio a tempestades, se é que é possível.

Mas os raios de esperanças sempre voltam.

E sem ameaças me enlaçam para dormir na ponta de um penhasco que são as minhas dúvidas. 

Morar

Morar onde me cabe sempre foi o meu desejo. Já coube num útero, num berço, numa rede, num sofá, no chão, ao pé da porta, no desalento, na areia e no espaço!

Como cheguei até lá é uma pergunta que me persegue. Quem me faz seguir trilhas imagináveis e reais?

Moro no ar, papo cabeça, embriagada, sorvendo todo o tipo de poção mágica que me tira da senzala e me põe na casa grande.

Que me tira da praia e me tranca num apartamento com vista para o mar. Estou enganando quem?

O vento da esperança não se aprisiona.





Morando no truque

Você já ficou sem chão, em algum momento?

Parece que o cérebro se esvazia.

E quando tudo volta ao "normal", você consegue sorrir?

Experimenta, da próxima vez!

É o que digo pra mim, nesta conversa sem fim. 

Ah, os selfs...

Certo dia, uma amiga disse que estava conversando com o espelho.

Ou seria com a imagem refletida?

Segundo ela, dá certo.

Já experimentou?

Eu sempre fiz isso, desde menina: falar sozinha (hehehe).

É um truque e tanto!





Morando na amizade

É, a amizade é uma morada.

Nela você se abanca. Desarruma, arruma, relaxa.

Faz festa com muitos amigos ou só.

Quando bate a porta e sai é invadido por um enorme vazio.

Aí, você percebe que, a chave está na sua mão.

Retorna, é bem recebido e corre para o abraço.

É, a amizade é um grande colo.

É o ombro que aconchega,

Que embala,

Que convida para ser e estar melhor.

Aos meus amigos, meus grandes presentes, a minha eterna gratidão!



As minhas moradas

 


Eu sempre escolhi onde morar. Moro em qualquer lugar que o pensamento e o corpo me levam. Já morei na tristeza. Larguei porque é cansativa, enfadonha, adoece. 

Morei no entusiasmo também cansativo porque me forçava a correr, mas não me levava para muito longe.

Morei na incerteza. Um grupo imenso de indagações, que nem sempre eram questionamentos valiosos.

Morei no susto. Epa! aí cheguei e chego a me demorar ainda, por ser muito frenético. E, acredito, tem a ver com o meu pensar.

Morei na alegria. Comprei todas as fichas porque é muito mais vibrador e contagiante.

Morei no desespero. Quanta incredulidade, quantos becos sem saídas. Socorro! quero subir!

Morei na filosofia... ah.... aí a conversa é contínua e me entendo, por final, sábia.

Morei na psicologia. Acredite: a noia e a paranoia me auxiliam sempre.

Morei e moro na arte: esta coluna é mais bendita de todas. É um fascínio inebriante, empolgante, criativo. Aí, de verdade, é a minha morada.


Morando inselfie

 A imagem tem um poder incalculável em mim. Falo do que fotografo com a mente. Lá, o arquivo é infinito. Algumas desbotam por falta de visualização frequente. Outras estão tão nítidas por não serem papel. Ah, que dádiva ter estantes múltiplas no ser!

Há aquela ou aquelas que não são preferidas mas, mesmo assim estão guardadas. É como a roupa que não nos cabe, mas que por conta do apego, guardamos. Se não é fácil despejar fora tudo o que tem nas gavetas dos armários, é compreensível segurar esse painel de cores.

E quando rasgo detonando

a memória fotográfica, eis-me em nova pose, novo cenário. Hoje, com os aplicativos tecnológicos podemos nos transportar, criar ilusões, ampliando assim a mente!

Como editores de imagens, precisamos aprender a lidar com essas ferramentas, que um dia também serão obsoletas. Uma verdade é certa: jamais seremos ultrapassados, neste sentido. 

Por enquanto, gratidão por não sofrer de afantasia.

Morando na filosofia?

 Às  vezes me pergunto se trabalhei muito para agradar as pessoas. 

Ou para atender às pessoas que existem em mim. Sempre fui questionadora. 

Nunca aceitei só por aceitar. E isso me trouxe muitas angústias. Confesso que essa Fátima (este nome também me incomodava) foi e tem sido o meu acelerador. 

Quando menina me imaginava num carro numa estrada sem curvas e sem motorista. E na fantasia de que tudo me seria possível, voava. É, o meu carro tinha asas.

E foi aí que me tornei Alice e mágicos foram e tem sido os meus momentos. E graças a Lewis Caroll, percebi que não precisava entender, bastava que me permitisse ser.




Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...