É por aí...


O nosso dia-a-dia sempre merece comentários. E fico cismando que se eu escrevesse tudo o que a minha mente comenta...
E se deixasse pra lá, me fingisse de morta? Reparo que os questionamentos me embotam o pensar. Ou seria o contrário?

O mais rápido seria dizer "sei lá" está tudo tão estragado... Mas, a vida merece comentários.

Fiquei um tempo afastada, estava pensando sobre o que poderia ser escrito neste blog que não se propõe a ser diário. Eu já ponho em dia, ou tento organizar o dia mental. Nada prometo, apenas deixo fluir o raciocínio.

Agora, para cismar mesmo é ver a TV hoje. O que temos além da onda de violência? Eu posso selecionar, através do controle remoto as imagens e o som, mas quem controla o que se tornou notícia?

Não quero falar sobre violência quando percebo que a não- violência deixou até de ser mote de discurso. E apostar no novo discurso, que não muda....

Aguardo os programas cansativos do horário eleitoral gratuito. Eu não vou torcer contra A nem B. Muito pelo contrário! O que mais desejo agora é que, quem se candidatou, passe por um grande tremor, uma sacudida. Que desperte e veja o que podem fazer, de fato, por ele mesmo e pelo o outro.

Sempre quando há "mudança" (reparou nas aspas) o que mais sofremos é o embargo das ações do outro, do que "passou" (repare nas aspas).

Não quero protestar. Pelo contrário: o que mais quero é que acertem em cheio.
Também não quero desabafar: o que mais aspiro é que o homem pare de brigar com o lobo e não se deixe vencer por ele.

Política é hora de fazer, de se fazer, de reiniciar.
É isso. Pensar em ser aquele homem grande que se esqueceu de crescer porque ficou enraigado no umbigo, no ledo engano de que pra subir tem que usar o outro como degrau.


Depois que a França conquistou o direito de continuar na Copa do Mundo, em conversa com amiga, entendemos que os heróis somos todos nós que travamos batalhas diárias e permanentes.

Somos os usuários dos ônibus, os assalariados, as mães preocupadas com a dependência das drogas, com a inadimplência na escola, com os impostos e aumentos extratosféricos.

Somos as cantigas mal cantadas e dançadas, que não levantam saias porque o vestir atrapalharia o recurso de exibir o corpo e faria com que todos se dessem conta de que há outras opções.

Somos os extremos de uma guerra sem fim pela posse da terra, pela disputa de vagas no mercado cada vez mais estreito.

Somos a mão que mais apanha do que pede ao que só aprendeu a bater.

E continuaremos sendo ainda o povo mais otimista, apesar de tudo, porque o mundo como a bola rola e faz rolar lágrimas.

Descoberta


Descobri que sou assim meio chata, chata mesmo, mandona, necessária, desnecessária, atrevida, endividada, só quero ser as pregas! Eu não lembro de quando ouvi pela primeira vez esta expressão. Foi quando menina ainda, que sonhava ser muito maior do que hoje, na altura e, principalmente, na independência.

Descobri também que não se perde muito em não ouvir o conselho dos mais velhos. Porque eu precisava crescer sobre as minhas próprias pernas. E como agradeço hoje ter sido teimosa. Como poderia entender o fracasso dos meus sonhos se não tivesse acreditado neles? E o que é mesmo fracasso?
A minha teimosia está aí. Mesmo tropeçando continuo seguindo em frente, mesmo que esse seguir não seja para o norte. Sei que recuar tem sido uma das minhas maiores virtudes.

Descobri que sou mandona porque mando mesmo e se o outro não obedece, opção dele.

Mas sei ser necessária até mesmo quando todos dizem que não há porque me envolver, e atrevida, pretensiosa porque em muitos momentos me flagrei querendo que as opções sugeridas fossem seguidas.

Descobri que tenho senso comum estou sempre torcendo por algo novo. Só que agora não fico no aguardo. Saio de trás da cortina e antevejo o que mais quero. E sei que isso não é precipitação sou eu somente, trilhando o caminho decorado por meus sonhos e reforçado pela fé.

Por que Bussunda foi embora?


O que é uma piada? E por que nem sempre nos faz rir?
O brasileiro tem paixões que só o brasileiro conhece. Quase tudo transforma em piada. E a mais sem graça até agora foi o desaparecimento do Bussunda.

Mas, já tem piada rolando por aí:
Bussunda chega ao céu e pergunta meio apalermado:
- Ué, morri??!!
_ Sim.
_ Fala sério, meu!

Estranhando o texto? sem ele fica tudo assim. Estórias incompletas de uma vida de risos.

Plantando estrelas


Todos nós queremos ser notícia, de primeira página, de preferência. Mas, se parássemos para pensar no que pode nos ocorrer no dia seguinte, ou melhor, no momento seguinte, tentaríamos continuar no obscurantismo.

Porque os momentos de glória, de manchetes, nos pegam de surpresa, até mesmo quando é tudo o que mais desejamos. Somos conhecedores de inúmeros casos que personificam aquele(a) que vende uma imagem que não lhe pertence.

Todos somos telhados de vidro e não resistimos à pressão. Como se fossemos perfeitos, exigimos a perfeição do outro, que escolhemos como ídolo. Se é cantor, não pode perder a voz, sob pena de ser execrado. Se for ator, jamais poderá deixar de representar o papel desejado pelos fãs, porque vai pagar com o esquecimento. E, se for jogador....

Para nós que vemos a vida ainda em três momentos- começo, meio e fim - somos os melhores quando o atleta vai ótimo, excelente forma. Ficamos acostumados às suas jogadas e, apesar de não alimentarmos tanta ênfase, queremos mais e mais. E , quando durante um jogo ansiado, a bola não balança o gol do adversário...

Eu tenho acompanhado a vida de um jogador em particular, Ronaldo, que já foi Ronaldinho, o querido menino de todos, que, com a chegada de outro Ronaldinho, ganhou o sobrenome de Fenômeno. Foi manchete alegre, entusiástica, percorreu quase todas as páginas dos maiores veículos de comunicação impressos do mundo. Vendeu e como vendeu!

A conseqüência de tanto sucesso rendeu-lhe fortunas que não vem ao caso divulgar, mesmo porque desconheço o valor. E também deu muitos lucros. E foi copiado. A ordem é raspar a cabeça, lançou um estilo diferente, que antes representava o castigo para quem fosse flagrado em situação irregular.

E, o gol que não veio, frustou todos aqueles que dele nada mais esperavam. E como um animal ferido, que perdeu a oportunidade de mostrar a sua força, foi posto de escanteio. E todos que apenas querem gritar gol, exigiram a sua retirada.

Lembro filmes épicos quando o homem escravo do outro, lutando até a exaustão, caía e era condenado a fenecer. O vencedor(?) era obrigado a eliminá-lo definitivamente, obedecendo a ordem ditada pela posição do dedo polegar.

E hoje continuamos gritando "Fora!", apontando todos os demais dedos.

Pela dieta


Fala-se tanto em dieta, regime e corpo escultural e eu fico me perguntando o por quê de tanta nóia? Conversando com o cérebro e o estômago, percebi que a comida, ou melhor, a comilança está no cardápio da nossa vida.

Qualquer aborrecimento, o estômago responde: flatulência, empachamento, dentre outros. A vida tem sido o grande estômago. Na hora da promoção olhamos para o nosso umbigo. E, na maioria das vezes nos prendemos nele e deixamos o tempo passar.

Depois de uma extenuada vida noturna que saía pra beber e comer, só vou de pizza agora. O estômago está sempre falando mais alto! A maior conta do mês vai para o supermercado. A grana extra é para os finais-de-semana, que incluem um bom prato de macarrão ou um almoço mais arrumadinho pra família aos domingos.

Os restaurantes fazem a festa: quinta do caranguejo, sábado da feijoada, e do churrasco; domingo de pratos variados; promoções de sushi, de fondue e lá vamos na onda da colher, mergulhando nos caldeirões.

Comer é pra todos, mas a democracia não é praticada no prato. Enquanto um grupo seleto senta-se a mesa, delicia-se com as guloseimas em ambiente de ar-refrigerado, logo ali na esquina, a poucos metros, alguém revira a lata do lixo em busca de alimento.

A comida também está presente na cantilena das campanhas eleitorais e muitos programas alimentam o que se chama de social: temos o Bolsa-Família, que veio para combater a fome. Que regime!

Precisamos ajustar a pirâmide comestível: na base, educação e emprego; acompanhada de preços baixos, mais cor nos pratos com menos agrotóxicos, liberdade nas ruas, portas e janelas aberta pra casa respirar. Isso seria o começo.

Do lixo


O lixo acompanha a nossa história. Eu sou do tempo que se enterrava sobras no quintal. As folhas das grandes mangueiras, goiabeiras, cajueiros e outras árvores frutíferas eram recolhidas e queimadas. Ninguém reclamava da fumaça porque era consenso na vizinhança. O trabalho era alertar para a retirada dos lençóis passados no anil, que dançavam ao vento e se iluminavam a luz do sol.

O recurso poético é para tentar abrandar a situação de hoje dos que vivem amolestados pela abundância do lixo. Os resíduos sólidos, matéria orgânica, não adubam apenas, alimentam o homem, como imortalizou a poesia de Manuel Bandeira.

Somos convidados a mudar a cultura da convivência com o indesejável, armazenando com cuidado em sacos plásticos; separando os recicláveis, dentre outras medidas.

Só não se vê uma fórmula para resolver e dar vida digna ao sobrevivente dos lixões. Não falo dos produtos que levam anos para desaparecer. Estou falando do pai de família, da mãe do garotinho subnutrido que se cobre de poeira, oferece o seu corpo à contaminação para (que paradoxo) garantir a sua vida.

O Povo flagra a realidade, que na maioria das vezes, fingimos não ver.

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....