Cuidados
As músicas românticas que falam do amor - dentro da visão estreita nossa - lembram apelos para vida doméstica da mulher. Estava há pouco ouvindo a letra da música Abandono gravada por Roberto Carlos na década dos anos 1970.
A letra fala de uma mulher que parece pretender voltar pra casa depois de ter largado o companheiro. Pelo que entendi, e se ela existir, com certeza não vai voltar. A natureza feminina é organizada, gosta de limpeza não e a toa que a gente vive esfregando chão, paredes e cozinhas...
Mas, você que me lê agora, correria para se encontrar com alguém que propõe que caso volte, cuide apenas de você e não faça espantos (Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você) e em seguida sugere que cuide da casa, limpe tudo?
Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você(como?)
De um jeito nessa casa, ela é nada sem você
Regue as plantas na varanda, elas devem lhe dizer
Que eu morri todos os anos, quando esperei você
Se voltar não me censure, eu não pude suportar
Nada entendo de abandono, só de amor e de esperar
Olhe bem pelas vidraças, elas devem lhe mostrar
Os caminhos do horizonte
Onde eu fui lhe procurar
Não repare na desordem, dessa casa quando entrar
Ela diz tudo que eu sinto, de tanto lhe esperar
Envelhecência
Às vésperas das seis décadas, concluo - é precoce, mas assim faço - que o ímpeto da adolescente em querer dizer tudo o que pensava não era estratégico.
O código de convivência ensina-me que o pensar deve fluir no espaço da mente e a boca deve liberar apenas - já com edição - o que o outro gostaria de ouvir.
Mas, como não sou precoce, sou retardada, continuo adolescente.
Ser mãe é padecer na chatice
As campanhas de desarmamento que têm como alvo as crianças e os adolescentes fazem lá sua parte. É verdade, é preciso fazer algo. Mas fico cismando o pensar com relação o que passa na cabeça dos pais quando escolhem uma arma de "brinquedo" para o filho.
Nos filmes de bang-bang as crianças convivem com armas e violência e ganham arma de verdade. Na vida real quando a TV é a babá de quem não consegue contratar um profissional de confiança, a morte não é ficção. É verdadeira.
O pior de tudo é que a cada dia matamos oportunidades de conversas, que podem até ser os antigos sermões- acredito que mãe tem que ser necessariamente chata - ou puxões de orelhas. Sou do tempo "que se cortava o mal pela raiz", argumento doméstico que funcionava sempre.
Sufrágio
Só pense em algo consistente sem dar ouvidos aos números, candidato adora isso. Afinal, é preciso respaldo para um planejamento.
Sinais
Sinais
Os sinais do tempo na face são os que mais se quer notar. No entanto, muitos outros se perdem, códigos nem sempre decifrados por conta da convivência com ações outras. No relacionamento homem e mulher por exemplo, nem sempre vem a luz o que está claro.
Não é o tempo que se deixa passar juntos, mas o que se aprende com isso é que realmente importa. As relações se desgastam quando deixamos de nos perceber. São esses sinais, pequenos indícios que se somam e iguais ao fundo de um filtro, diminuem o curso da água.
Quando digo que cansei, na realidade quero dizer que não estou mais querendo continuar, pelo menos do jeito que está. E nem adianta cortar o cabelo, mudar o perfume, porque a cor, o cheiro, o tom e a qualidade da essência se perdem no ar.
Para amar - pelo menos esse tiquinho que a gente se permite perceber - é preciso ser leal, sobretudo, consigo mesmo.
Não é o tempo que se deixa passar juntos, mas o que se aprende com isso é que realmente importa. As relações se desgastam quando deixamos de nos perceber. São esses sinais, pequenos indícios que se somam e iguais ao fundo de um filtro, diminuem o curso da água.
Quando digo que cansei, na realidade quero dizer que não estou mais querendo continuar, pelo menos do jeito que está. E nem adianta cortar o cabelo, mudar o perfume, porque a cor, o cheiro, o tom e a qualidade da essência se perdem no ar.
Para amar - pelo menos esse tiquinho que a gente se permite perceber - é preciso ser leal, sobretudo, consigo mesmo.
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