A respeito da mulher

Até agora tenho ouvido, retrucado, apoiado e consentido o que diz respeito a mulher. Se não vejamos: é impossível esquecer a menina que fui, assutada. Toda a infância foi sob o regime do medo. A lei Se não for apanha acompanhou-me até na brincadeira de roda.

Na adolescência, aquele misto reuniu-se e ficou mais fortalecido com as surpresas hormonais. Como saber o que ocorria em mim sem puder perguntar porque era proibido e até pecado?

Fiquei madura sem ser "de vez"(termo utilizado na agricultura quando a fruta está para amadurecer). Fui mãe! Seios crescidos e fontes de alimento, quase censurados sob a ameaça de mulher menina tem que continuar bonita. E a resposta para maternidade que nos eleva aos ceus e nos derruba na estética?

A maturidade teve o carboreto da infantil ingenuidade. Eis-me agora: nem sempre resoluta, mas com muito menos medo.

Se perguntar qual época identifico-me mais feliz, digo que a felicidade é estar viva, atenta a tudo o que os sentidos permitem cheirar, ouvir, saborear, tocar. Ter nascido na década em que a opressão era uma rotina e hoje desfrutar de tantos "privilégios" é reunir uma bagagem vasta e nunca exaurida.

Ah, se te pego!

Nada é mais fugaz do que a inteligência com a sabedoria em disputa. Gosto de jogar a pedra no lago do esquecimento e buscar nas ondas circulares, que se formam, algum arquivo naufragado na ilha paradisiaca da minha rica existência.

Busco no vendaval sem fim dos pensares, algum momento em que eu tenha apreciado algo que não fosse a decência da arte.

Dizem que o artista obsceniza a criação. Na realidade, sinto um desnudar. Nada é mais louvável do que o uso da mão para lapidar imagens em pedras brutas!

Não há quem seja mais confiável do que o poeta que transforma realidade em sonho, despistando o pesadelo da solidão.

Portanto, não me insulte com textos piegas!

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....