Envelhecer


O tempo não pára. 

Quem não sabe disso? 

E quem não deseja loucamente segurá-lo? 

Quando o tempo mostra sua cara diante do espelho real, a fantasia grita porque quer a adolescência dos sentimentos. 

O que é permitido para alguém que nem mais cora diante de algo que antes mexeria com a sua libido? É prova de maturidade? É irreal? 

Não me olhava tanto assim no espelho, pelo menos não lembro por quanto tempo aproveito a imagem refletida e busco reflexões. 

Ainda estou muito estranha. Quem é você? Este corpo me pertence? Por que não acompanhei? É tudo tão efêmero hoje! A embalagem conta mais que o presente? 

Lembro que costumava guardar as sacolas bem feitas, coloridas, os laços de fitas. Acho que numa tentativa de segurar o tempo. Só que depois de algum tempo guardadas perdiam o colorido e eu me desfazia. 

Será que conseguirei sem muitas noias jogar fora os laços que desbotaram e hoje necessitam de um desligamento? 

Quero me reciclar. Como preciso!

Sorrindo enquanto caminho

Como costumo caminhar. 

Há dias sem  sol que escorrego no piso tentando ser forte. 

Noutros, faço trilhas e vou deixando no caminho migalhas de pensamentos enfadonhos, mas sempre mudo o retorno em busca de novas inspirações. 

Nem sempre é possível respirar plenamente. Tem vez que esqueço o pulmão da vida e prendo o ar dentro de mim. Noutras manhãs sou que nem John Travolta, no filme Embalos de Sábado a Noite- caminho pisando forte e rebolando. 

Uma sensação musical de amplidão me envolve. E sorrio. Você costuma sorrir sozinha? Sem querer dividir? 

Ah, eu nunca estou sozinha. A cabeça cheia de pensares e converso, boto pra fora a alegria do momento. Sentir a brisa, jogar cabelos ao vento... dar ouvidos à felicidade íntima que grita por liberdade. 

Ah, os passos que já dei, como me levaram a caminhos múltiplos. A maioria, nem precisei comprar o bilhete do trem azul, fui me permitindo para o que costumam dizer: sonhar... Mas, que nada, a minha alegria é real!

Perfilando

 


O lado bonito é o que quero mostrar, sempre! 

Tive esse alerta ao olhar as redes sociais. É muito difícil ver um sorriso mal colocado, uma foto sem filtros. 

Todos nós queremos ser belos. E isso não é novo, não! 

Por que guardamos a melhor roupa para sairmos, enquanto no dia-a-dia o rotineiro é usar qualquer coisa que nos sirva? E aquela toalha bonita, que guardamos para as visitas, os serviços de mesa? 

A gente sempre quis estar bem na "fita" sem parar para pensar por que fazemos isso? De onde vem? 

Quando garota, lembro que minha mãe insistia que devemos receber bem as pessoas. Que as visitas são um grande presente para a casa e também para nós. Mesmo sem ter a permissão de ficar na sala participando das conversas que eram só para adultos, estava sempre com a minha melhor roupa para receber. 

É isso! Sempre estar pronta para a recepção. 

E quanto ao íntimo. Estaria eu me fazendo bonita? Recepcionando o que me ocorre?

Revendo pensares


Na onda do Podcast - a qual aderi - revejo e dou voz a antigos posts do blog O Pensar. 

Hoje, relendo em busca de algo que tivesse a ver com o humor do dia, vejo comentários de pessoas que se fazem acreditar por conta da bagagem literária e de experiências. E fiquei pensando: puxa vida, por que parei de postar? 

Por que não deu ouvidos, dedos, voz, aos meus pensamentos? 

Nem vou aqui lamentar! Só escrevo seguindo a ordem da intuição. 

Sim! porque escrever pra mim e dedilhar os ditados da mente e seguir sem interrupção as letras, minhas grandes amigas nesta caminhada longa da vida. 


E seria longa mesmo? 

Quando a gente beira os 70 anos, acha que ainda tem muita estrada a percorrer. E você vai deixar para o outro o seu caminho? Claro que não!

A despeito

 Hoje vou falar sobre a minha relação com o despeito. 

Inicio dizendo que só agora estou começando a entender de como esse sentimento tem sido útil. 

Quando não percebia a sua grandeza - se é que se pode chamar de grande - ficava com raiva e, despeito mesmo do agente que me provocava soltando- não sei se por querer - o gatilho. 

Quanto tempo fiquei assim despeitada? 

Ainda hoje o bichinho se exibe, maroto, perguntando-me se acho que cresci. 

Pois não é, que ainda preciso arrancar  ervas daninhas do meu jardim! 

Ah, despeito, seja mais uma vez bem vindo ao meu pensar. Estou quase fechando parceria eterna. Mas, não quero ficar de muxoxo o tempo todo. 

Mas, pensando bem, a despeito de tudo, só o que me incomoda me faz crescer, de verdade.

Pela paz+


Eu sempre tive medo de guerras! Agradecia a Deus ter nascido depois do grande abalo que o mundo viveu na década dos anos 1940. O pavor era com relação à possibilidade de uma crise mundial. 

O tempo foi passando e acompanho os bélicos motivos que levam o homem a matar, a morrer por um ideal... que, será que compreendo?

Ainda estamos procurando imunidade para um vírus que uniu o mundo, o Planeta na busca da salvação. Já se fala em modificar a nomenclatura do ataque virótico para algo mais contido. Mas, quem contém a vontade da destruição? 

Fico me perguntando até quando, nós seres humanos, iremos continuar cegos diante da ilusão do poder? 

Quando perceberemos que a destruição do outro não nos fará crescer? E, uma vez, acreditando crescidos, o que faremos em seguida? 

Mais uma vez elevando as mãos aos céus em busca de discernimento. Que a paz do mundo comece em mim.

Narcélio


 Às vezes penso que me basto,

que tudo é efêmero,

que basta ler uma poesia

e aí me encontro.

`As vezes não quero pensar nada,

mas a mente é inquieta.

Sinto uma enorme necessidade de brilho,

aí procuro me retocar.

A cara pálida necessita de cores artificiais.

Só que também é rápida como o pensamento que flui,

que se perde.

Às vezes percebo que nada me basta,

quero muito mais,

é preciso crescer, melhorar o mundo...

E que a solidão não existe...

É porque tenho canto de pássaros,

tão disciplinados,

eles não desafinam

assim como eu, diante do meu pensamento agora.

As borboletas são outras companheiras

só que elas têm pressa...

Mas, numa noite de muita emoção, uma pequenina pousou em mim

e assim ficou coladinha na blusa branca

Quanta emoção senti!

E vi que nunca estarei sozinha com o pensar confuso

que a amizade verdadeira é eterna

e que Deus, ah sim! ele olha o tempo todo para o que faço,

para o que sinto...

A borboletinha não foi um adeus, muito pelo contrário: é a doce presença de quem foi doce por muito tempo comigo. 

Há algum tempo gostaria de ter lhe dito que a sua ausência física me faria muita falta. Mas como é bom saber que você vive!

(uma pequena homenagem para o amigo Narcélio Limaverde).

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...