Tô bem aqui
Radiando alegria
Quando você completa 50 anos de existência nem sempre tão pacífica, costuma ouvir indagações do tipo no seu tempo existia isso? De que tempos estão falando, mesmo? Eu sou de agora, ora!
Sou do tempo em que as declarações de amor eram feitas com muito assombro, por meio de radiadoras. Lembro um momento tão singelo: Ofereço esta música para aquela linda moça, ( o amor é cego) que não é daqui e nem veio para ficar, que está de vestido azul e com uma trança do lado direito. Era eu, lógico, que na oportunidade, estava sendo disputadíssima para passear numa roda gigante. E Paulo Sérgio cantou Iracema em minha homenagem.
Saio em defesa das radiadoras por que de onde vocês acham que surgiram aquelas mensagens de aniversários com direito a carro colorido e muito barulho?
Sou também do tempo do e-mail, do namoro virtual e do fica. Tudo isso faz parte do meu tempo, sim. Já sujei os dedos inúmeras vezes com papel carbono, o precursor do Ctrlt + Ctrlc +Ctrlv = cópia.
Sou do tempo das tertúlias, do amasso disfarçado e do escancarado. Da paquera, dos olhos compridos, das cantadinhas ingênuas e também das cantadas rídiculas isso é que é mulher e não aquela que tenho lá em casa.
Sou do tempo da xícara de açúcar, de café e do arroz, que a gente sempre devolvia. Sou também do tempo em que sorrir é sempre a melhor forma de cumprimentar.
Mulheres na chefia
Qual é a minha cor?
Em tempo de eleição

Estava pensando o quanto é difícil resistir na alegria quando falta alimento em casa e quando não há dinheiro para o remédio. A desesperança precisa, neste caso, ser assessorada. O pensamento lateja na lembrança de vivência semelhante e fico cismando diante das promessas eleitoreiras.
Cravo a imaginação numa fila de hospital. Ninguém olha para você, de fato, nos olhos, porque - acredito - teme se condoer e tomar-lhe o pulso, pelo menos para dizer que em qualquer momento haverá uma vaga, um leito, um medicamento.
Insisto em buscar prateleiras cheias de um supermercado, dinheiro no bolso para pagar - sem chiar - o alimento da família.
Futrico o juízo para ver páginas de livros rasgadas na esperança porque o material está acima das posses nas livrarias pozudas, cheias de coloridos emprestáveis porque naquele momento, seria muito mais útil no sebo.
Aí, a revolta é a única companhia do eleitor de quem falo. E ainda vem alguém falar que voto não tem preço, tem consequências, e como! Não as nego. Mas, será que as ruas com esgoto a céu aberto vão continuar sendo imagem para se trabalhar nas letras, rebuscando saídas, que se sabe não serem exatamente a proposta do momento?
Só escrevendo em respeito ao voto. Em respeito ao eleitor.
É só promessa
Ainda bem que o voto é secreto, já pensou o eleitor ter que explicar por que não votou em determinado candidato?
Lembra aquele sonho de adolescência de querer ser mais bonita, quando a gente ia reunindo a boca de fulana de tal, a sobrancelha de outra estrela, os olhos de uma outra beldade e o cabelo de outra?
Pois é, estava ouvindo as promessas e os planos mirabolantes dos candidatos e fiz esse exercício. Juntei a promessa de um, reuni os delírios de um outro e fui arrumando o perfil da administração ideal. O resultado? Uma grande confusão.
Eu sei, eu sei que é necessário apresentar um objetivo de governo, mas precisa ser algo irrealizável? Não citarei aqui os exemplos por razões óbvias, mas peraí só porque tenho ouvido preciso ser castigada?
Os sons do 7 de setembro
Cedo, respirando o ar sem contaminação dos carros em movimento, escuto o barulho da água do café seguido do cheiro forte que alimenta a docilidade materna do lar. Com a boca ainda quente do líquido, rego o verde do quintal, conversando intimamente com as plantas coloridas por flores resistentes. A natureza é assim, o homem omisso e ela verdejando a esperança dos dias cinzas.
Na padaria, reclamo fartura. A sociedade mista se desfez e é flagrante a falta de produtos e de cuidados. Vou para a calçada dividir o sol maravilhoso e continuo regando as plantas, o exercício domingueiro que me dá prazer.
Depois, sento-me com o evangelho sobre as pernas, calo um pouco a mente, estico o ouvido para os passarinhos que dão graças a natureza. Olho para as nuvens que passam lentamente. A sensação é que se demoram para que percebamos a sua presença.
Não escuto tambores, muito menos cornetas e passos firmes numa marcha lembrando determinação. Quando menina, ia para avenida acompanhar os desfiles do sete de setembro. O som vai longe, mas a pátria continua. O meu país é cheinho de gente séria, trabalhadora, madrugadora como eu, esperançosa, resistente e teimosa.
IA conversa comigo
Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você. E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade. ...
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Sabe aqueles dias em que você se subestima? Carrega pensamentos sombrios, que só fortalecem o pessimismo? Pois é, de vez em quando eu me as...
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Fico cismando o pensar sobre a minha existência perguntando a mim mesma, o que eu poderia ter feito diferente? Se eu não tivesse filhos, se...
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"Quero morrer trabalhando. Não aposentarei atividades. O rádio é a minha vida". Frases repetidas, inúmeras vezes pelo amigo Narcé...